O cavalo de R$ 100 mil em 50 vezes não vale R$ 100 mil
O número do martelo virou o número que todo mundo repete. Com a taxa de juros atual, ele é uma inverdade contábil, e boa parte do boom de preços dos últimos anos é aritmética, não valorização.
Redação BrazHorse · 16 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Rascunho. Os números foram conferidos na base do BrazHorse, mas o texto ainda não passou por revisão editorial.
No Brasil, quem cria paga tudo à vista. Sêmen à vista, veterinário à vista, ração à vista. E vende no leilão parcelado em 50 vezes, sem correção.
A conta que quase nunca é feita em público é a do valor presente. Cem mil reais recebidos ao longo de mais de quatro anos, com a taxa de juros que temos hoje, não são cem mil reais.
O número do leilão é muito atrativo e muito grande. Ele não é uma mentira, mas é uma inverdade.
Isso tem duas consequências que se alimentam. A primeira é que o criador toma decisão de produção olhando um número que não vai receber. A segunda é que boa parte da alta de preços celebrada nos últimos anos é efeito do parcelamento e da taxa, não de valorização real do animal.
Para o comprador, o leilão é o melhor cenário possível: o dinheiro dele fica aplicado e ele paga devagar. Para o vendedor, é o contrário.
Uma calculadora, não uma opinião
Este é o tipo de coisa que não se resolve com argumento, se resolve com conta. Entra em breve aqui no BrazHorse uma calculadora de deságio: você informa o valor de martelo, o número de parcelas e a taxa, e ela devolve quanto aquilo vale hoje.